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Bloco “Zé Pereira” resgata a tradição do carnaval popular

Arte e Cultura

Bloco “Zé Pereira” resgata a tradição do carnaval popular

Fique por dentro da história do Bloco de Carnaval Popular “Zé Pereira” de Santa Maria da Vitória, oeste da Bahia.

Carnaval é uma das maiores festas populares do planeta e no Brasil se encontra em vários regiões, principalmente do nordeste e sudoeste, mas é na Bahia que recebe o axé se tornando a festa mais popular do estado movimentando aspectos culturais e econômicos.

No caso, o cancelamento do carnaval que seria realizado pela prefeitura não significa que a população passará o feriadão em braco. Os blocos populares têm sido uma alternativa aos carnavais modernos e vêm para resgatar o sentimento de pertencimento ao lugar e da celebração da amizade e alegria.

O verdadeiro carnaval de rua – Foto: Rosa Tunes

Nos últimos anos cerca de 2.500 a 3.000 pessoas de várias idades acompanham a folia pelas ruas e bairros de Santa Maria da Vitória. Esse marco histórico é fruto do talento de músicos dedicados a preservação de uma cultura centenária repleta de valores simbólicos.

No que compete a formação dos músicos Jailton avalia que um projeto como esse visa “a valorização da profissão do músico tem se tornado uma das principais batalhas travadas uma vez que muitos sobrevivem com e do exercício da música não só como fator de transformação social, mas também como componente da identidade cultural.

A cada ano contamos como o apoio do próprio povo para fomentar essa manifestação que a todos seduz e alegra. Assumimos o compromisso de contribuir com a manutenção desse festejo carnavalesco cientes de que os foliões nos aguardam para mais um ano de diversão sadia e sem discriminação”.

Mas por que Zé Pereira?

Segundo pesquisas, o “Zé Pereira” surge no Brasil por volta de 1850 quando um sapateiro português reunindo amigos agitou as ruas do Rio de Janeiro tocando tambores saudando a primeira hora do carnaval, daí porque a primeira saída é na noite de véspera do carnaval. A manifestação influenciou outros e logo se popularizou.

Essa grande festa popular surge fez surgir vários blocos famosos que historicamente tinham por objetivo agrupar pessoas que desfilavam no carnaval de forma organizada trajadas de fantasias e embaladas ao som de marchinhas eletrizantes. A alegria era completa e as cordas não segregavam classes sociais.

A fantasia é item presente pela ruas durante a festa do Zé Pereira – Foto: Rosa Tunes

O resgate do carnaval popular

O bloco do “Zé Pereira” é o mais antigo que se tem notícias no carnaval de Santa Maria da Vitória, depois deles outros existiram e até mesmo ele se reinventou, mas não é uma expressão própria da região. Em nossa cidade iniciou-se por meio de charangas composta por músicos da extinta filarmônica “Lira da Vitória” e da centenária “ 6 de Outubro”, mas perdeu-se com tempo. Em 2004 foi resgatada por um grupo de jovens músicos e foliões orientado por Jailton Souza e Nayark Pereira (professor de percussão), contando com equipe de coordenação Suely Melo, Fabrício Santos e Marcelo Pereira.

Bora matutar?

Leia a entrevista com Jailton Souza (educador musical e mestre de banda) vamos conhecer um pouco dessa tradicional manifestação cultural presente em nossa cidade.

Como o bloco sobreviveu nesses 13 anos?
Com a dedicação dos músicos buscando resgatar e preservar valores simbólicos da tradições do carnaval de rua – repertório de marchinhas frevos e sambas de épocas de ouro da música brasileira.

De que forma vocês conseguem financiamentos para o projeto do bloco e quem são esses financiadores?Através da busca por apoio e patrocínio de comerciantes e entusiastas da cultura local convertidos a um abadá simbólico vendido para ampliar os recursos e, consequentemente, custear as despesas.

Se a proposta do bloco é ser um carnaval popular porque a existência do abadá?
A venda dos abadás partiu da orientação dos próprios foliões percebendo a necessidade de recursos. Mas a iniciativa não é excludente, toda a população é bem-vinda a curtir a folia carnavalesca.

Onde e como comprar?
Podem ser adquiridos com os representantes, a coordenação e os músicos da orquestra.

De que forma vocês acreditam que estão contribuindo com o desenvolvimento cultural da região?
Num clima de alegria e reencontros proporcionamos momentos de festividade coletiva envolvendo público de diferentes gerações entorno a preservação da memória cultural uma manifestação centenária.   

O “Zé Pereira” contribui com o ‘resgate’ da cultura carnavalesca?
Sim, há uma nítida contribuição quanto aos estilos musicais apresentado. As obras atravessaram gerações com canções que fazem parte da trajetória da música popular brasileira.

Quem são os músicos que participam? E qual a relação da Sociedade Lira do Corrente com o bloco?
A reunião de músicos de formados no “Projeto Meninos do Corrente, da Sociedade Filarmônica Lira do Corrente, culminou no surgimento Orquestra Popular do Vale do Corrente (OPOVAC) projeto que também conta (ou já contou) com a participação de músicos das cidades vizinhas – Correntina e Bom Jesus da Lapa. A relação dá-se no ano de fundação da Lira do Corrente com primeiro ano de resgate ao bloco “Zé Pereira”. Este ano a OPOVAC está composta pelos seguintes músicos: SAXOFONES: Jailton Souza, Uanderson Gusmão, Ernane Domingues, Marcelo Pereira, Rogério Alvez, Stanley Mesquita e Saulo Santos. TROMPETES: Fabrício Santos, Isaac Souza, Junior Santos e Cristione. TROMBONES: Joseanderson Marques, Pablo Castro, Rafael Mesquita, Tiago Costa, Maicon Nunes. PERCUSSÃO: Diego Silva, Nayark Pereira, Gabriel Dourado e Erliton Rocha

Existe algum subsídio do governo municipal e ou até mesmo estadual? Se sim de que forma contribuem?
Este ano não tivemos apoio financeiro do município, o gestor contribuiu financeiramente como pessoa física. O projeto ainda não pleiteou recurso estadual.

Quais as principais dificuldades de vocês?
O baixo recurso para manutenção (cachê, hospedagem, alimentação); poucas oportunidades para apresentações; consequentemente a ampliação do quadro de músicos.

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Robson Vieira

É um jovem santa-mariense licenciado em teatro, bacharel em ciências sociais (com ênfase em políticas públicas), especialista em mídias, mestrando em antropologia social e doutor em inquietação. Atento aos problemas cotidianos e busca neles, nos problemas, respostas que nem sempre encontra, mas que jamais desistiu de procurar. Robson Vieira por ora é isso, depois nem isso.

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