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População se revolta e ocupa duas fazendas em Correntina

Correntina

População se revolta e ocupa duas fazendas em Correntina

Os manifestantes já colocaram fogo em tratores, barracões e destruiriam os pivôs que captavam água do Rio Arrojado pelas fazendas de agronegócio

Os manifestantes destruíram o sistema de captação de água do Rio Arrojado para irrigar as terras das fazendas Igarashi e Curitiba

[Atualizada em 02/11/2017  às 18h10] – Na manhã desta quinta-feira, dia 2 de novembro, cerca de 500 pessoas ocuparam duas fazendas de Correntina, região Oeste da Bahia, que captavam água do rio para irrigamento de lavoura. Informações que circulam em grupos do WhatsApp dão conta que os manifestantes colocaram fogo em tratores, destruíram galpões, pivôs e bombas de captação de água. As fazendas ocupadas são a Igarashi e Curitiba, que ficam a 129 km da sede do município, próximas ao Distrito do Rosário.

A polícia foi acionada para conter os manifestantes mas não conseguiu. Os policiais pediram reforços e a confusão foi instalada. Em um dos vídeos divulgados pelos manifestantes, um policial da Polícia Militar do Cerrado aparece no meio de vários manifestantes, que gritam palavra de ordem em nome da preservação dos rios.

No final da tarde, a polícia conseguiu retirar os manifestantes das fazendas e uma parte deles seguiram para o centro de Correntina, conduzidos pelas viaturas da PM do Cerrado. Na entrada da cidade, eles chegaram a interditar a BR 349 por alguns minutos, mas recuaram e liberaram as pistas. Informações diziam que os manifestantes seriam conduzidos para delegacia e as pessoas pediam apoio à população pelos grupos do WhatsApp. Ao final, todos foram liberados.

Nas fazendas as cenas de destruição foram muitas. Na lista de prejuízos ao grupo Igarashi estão tratores, caminhão, galpões e todo sistema de irrigação que captava água do rio foi destruído. A invasão, ocupação e destruição foram respostas ao governo do Estado da Bahia que mesmo após audiências públicas e reclamações não tomou nenhuma providência contra a exploração dos rios do Cerrado. “Se o Estado não resolve, vamos lá e mostramos nossa força. Ver os nossos rios serem sugados por essas grandes empresas é que não vamos deixar sem fazer nada”, disse um dos manifestantes.

Outorgas foram concedidas pelo Estado

Informações da Secretaria Estadual de Meio Ambiente da Bahia comprovam que as fazendas têm autorização da Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) para tirar água do rio.

O grupo Igarashi, que controla as duas fazendas, conseguiu a outorga d’água em 2015 para irrigar 2.530 hectares com volume de 180 mil metros cúbicos/dia. No local, estão instalados 32 pivôs que retiram água diretamente do leito do Rio Arrojado.

De acordo com informações que circulam pela região, o Empreendimento encontra se em fase de implantação, sendo que o mesmo já se deslocou da Chapada Diamantina, por ter secado um dos afluentes do Paraguaçu.

Em uma mensagem de voz que circulam pelas redes sociais, um funcionário das fazendas avisa assustado. “Correntina tudo tá dentro da fazenda. Tem mais de 500 pessoas, tudo com facão, armado e botaram todo mundo para correr moço, como é que não corre”, diz um trecho.

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Jornalista, santa-mariense e idealizador do Matutar com objetivo de debater assuntos que possam promover mudanças sociais na região da Bacia do Corrente. Idealista por natureza, curioso pela força da profissão e dono de um olhar sensível aos problemas sociais. Maurizan tem uma mente inquieta e está sempre a procura de novas historias para conhecer e contar.

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