Conecte-se com

O fim de uma era em Santa Maria da Vitória

Política

O fim de uma era em Santa Maria da Vitória

Análise de Robson Vieira sobre o fim da gestão Padre Amário

Era uma vez uma cidade…

“Era” é uma palavra utilizada para marcar o início de uma nova ordem de coisas, fatos e acontecimentos. Diferente dos contos de fadas as histórias reais nem sempre têm final feliz, quando acaba “já era”. Oportunidades raramente se repetem, é uma vez e pronto.

A vida é feita de ciclos com começos, meios e fins. A história que aqui nos interessa passa longe dos belos contos. Personagens, cenários e sobretudo o enredo é conhecido por todos nós. Do delongado filme “Governando com o povo” fomos figurantes. Começou em janeiro de 2008 e se findará sem final feliz no dia 31 de dezembro de 2016. Oito longos anos de descaso e desrespeito com a ‘coisa’ pública. Passado tanto tempo é hora de fazer uma avaliação. Cabe perguntar: qual o principal legado que a administração Padre Amário deixa em Santa Maria da Vitória? Se arrisca a responder?

O tempo passou e não foi tão rápido assim, padre Amário ficou 8 anos no comando da prefeitura

Numa análise simplificada, considero fácil avaliar um governo, é algo que mesmo não sendo especialista no assunto podemos fazer. Sistematicamente há uma equação, a saber: lista-se o que foi ‘feito’ e o que foi ‘destruído’, subtrai um pelo outro e assim se chega ao resultado. Se ao final entre o que foi ‘feito’ e o que foi ‘destruído’ a equação apresentar melhor resultado para a primeira lista, significa que a gestão foi aprovada e consequentemente que gestor e equipe fizeram bom trabalho. Porém, se o resultado for o contrário é também importante direcionar méritos a quem for de direito.

Vejamos…

Em oitos anos, o que equivale a 96 meses, que em dias daria 2.880 e somado seria 69.120 horas, ou seja, de fato uma era, tivemos um governo que conseguiu se consagrar como um dos piores da história política de Santa Maria da Vitória, de longe o mais pedante.

Podemos dividir o tempo citado em dois momentos. Foram essencialmente duas desculpas utilizadas para justificar o inaceitável. Primeiro gastaram quatro anos colocando a culpa da inércia e irresponsabilidade no governo que o antecedeu. Insistentes que são utilizaram outros quatro anos, fundamentando a incapacidade e inoperância gestora com o discurso da “crise”. Justificativas diferentes para os crônicos problemas de sempre e que foram mantidos erroneamente ao longo de duas gestões.

Não muito raro ouvirmos dizer que os políticos são como traças, o que faz sentido, porém não pode ser generalizado. Traça é um nome vulgarmente designado a várias espécies de insetos cujas larvas provocam grandes desgastes. Considerando que traça corrói/destrói paulatinamente, parece-me ideal a comparação, levando em conta a forma pela qual nossa cidade foi “destruída”. Basta uma pequena volta pelas ruas, que daremos conta dos inúmeros buracos, lixos, sinalizações mal feitas, esgotos a céu aberto (…), na zona rural o cenário se repete. Tudo isso só pode ser fruto de uma gestão que desde sempre se mostrou incapaz de corresponder ao gerenciamento responsável no atendimento das demandas da população.

Para melhor compreensão é importante nesse momento algumas reflexões:

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, Santa Maria da Vitória é a cidade mais violentas dos nove municípios que integram a regional de polícia, fato sabido por todos nós. Num momento ou noutro fomos testemunhas dessa triste realidade. Para violência perdi alguns amigos/as;

Segundo dados do Ranking de Eficiência dos Municípios – Folha (REM-F), a gestão de Santa Maria da Vitória recebeu a classificação de “Pouca Eficiência” ficando em quinta posição em comparação com outras cidades da região. Não é difícil acreditar, afinal quantos/as funcionários/as estão até hoje com os seus salários atrasados!? Ressalta-se aqui que a cidade é reconhecida como polo regional e possui a segunda maior receita entre os municípios da região. A tese da crise não se sustenta, a vizinha cidade de São Félix do Coribe ganhou classificação de “Gestão eficiente” e por lá não se conheceu nos últimos quatro anos um/a único/a funcionário/a que ficou sem receber salários. Ineficiência, na minha concepção, é a maior marca dessa gestão;

Em matéria de educação resta nos falar sobre escolas fechadas e comunidades não atendidas, prejuízo de todo um ano, aliás pra toda uma vida;

Falando em saúde, como vai a sua? Pois a de Santa Maria da Vitória vai nada bem. Basta uma visita rápida aos postos e hospital e veremos que as reclamações são as mesmas: falta profissionais, falta medicamentos e insumos básicos, estruturas precarizadas. Aqui, infelizmente, se repete a falta de pagamentos de salários. Pasmem! Conheço pessoas que estão com cinco meses sem receber. Falta humanidade e respeito aos cidadãos;

No que tange a cultura cometeram o crime dos irresponsáveis que não souberam dar valor a nossa história, com isso jaz Carnaval, São João, aniversário da cidade e todas as festas e manifestações culturais do interior e da sede. Jaz também toda a cadeia criativa da cultura;

Alguém tem informação sobre a feira da cidade? Puro abandono.

Para além do já dito, vale também um balanço pessoal. Chegamos ao fim de uma gestão e o que fica de bom? Penso que o melhor é ter chegado ao fim, a cidade não aguentaria mais tempo, agoniza na beira de uma morte que não é só simbólica, é política. Com essa gestão tem morrido aos poucos o brio da população santa-mariense.

Resta então uma economia falida. Comércios estagnados. Turismo desvalorizado e potenciais pouco aproveitados. Se os/as funcionários/as não recebem a cidade fica sem movimentar o comércio.

É de fato uma história triste. Miseráveis seus/suas autores/as.

Tais fatos faz me lembrar de uma história cujo principal personagem ocupa as páginas do romance do famoso escritor português Eça de Queiroz. No clássico livro “O Crime do Padre Amaro” o personagem principal por amor traiu a igreja; na nossa história por ambição traiu uma cidade inteira e não sozinho, assinam o crime toda sua equipe (secretários/as e assessores/as). Se um não tinha vocação pra ser padre, o outro nenhuma responsabilidade pra ser político, fracassou. Pelo jeito a vocação era outra.

A vida é cheia de ação e reação. Newton em sua terceira lei diz que para toda ação (força) sobre um objeto, em resposta à interação com outro objeto, existirá uma reação (força) de mesmo valor e direção, mas com sentido oposto. Na vida é um pouco parecido, na política também, o que muda é a força e como ela é aplicada.

Hoje, o homônimo do personagem citado recebe de volta os resultados de suas péssimas escolhas e da traição exercida desde o princípio de sua vida pública. Traiu inclusive os que fizeram dele um “político”. Carrega nos ombros o peso da ingratidão, da incompetência, da irresponsabilidade. Colhe da mentira plantada o fruto da indiferença e da solidão. Sai condenado por hora pelo povo, e pelo andar da carruagem tão logo também pela justiça. A história já lhe reservou o ostracismo político merecido a todos aqueles que são incapazes de cumprir com as exigências da boa política.

Receba então o mesmo desprezo pelo qual seu governo tratou nossa população, sobretudo os mais necessitados.

Bom é que o fim de uma era é uma princípio de uma outra, pois sempre é possível recomeçar.

O crime de padre Amário (dessa vez com “i”), será para sempre lembrado pela história e há de ser jamais esquecido pelo povo.

Sai da política condenado pelas próprias mãos.

Continuar lendo
Robson Vieira

É um jovem santa-mariense licenciado em teatro, bacharel em ciências sociais (com ênfase em políticas públicas), especialista em mídias, mestrando em antropologia social e doutor em inquietação. Atento aos problemas cotidianos e busca neles, nos problemas, respostas que nem sempre encontra, mas que jamais desistiu de procurar. Robson Vieira por ora é isso, depois nem isso.

Bora Matutar? Deixe seu comentário

Mais notícias sobre Política

Topo