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Estudantes da Ufob protestam contra o abandono do Rio Corrente

Santa Maria da Vitória

Estudantes da Ufob protestam contra o abandono do Rio Corrente

Não foi um protesto comum, além de levantar a voz contra o descaso com o rio, os estudantes fizeram arte das melhores

Só quem estava lá, com o olhar vidrado nas expressões, cores e sons produzidos pelos estudantes de arte da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), sentiu a emoção daquele final de tarde. Os jovens vestiram suas melhores roupas, entraram nos personagens e navegaram pelo Rio Corrente numa barca grande com cartazes, música e arte para denunciar o descaso do poder público com o maior patrimônio natural e social da nossa terra. O protesto foi realizado entre o final da tarde e início da noite da sexta-feira, dia 11 de novembro.

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Em um grande espetáculo de magia e indignação,  os jovens artistas subiram num barco com rodas pelas ruas do centro da cidade simbolizando uma grande festa custeada com o dinheiro público. Depois foram para o leito do rio mostrar a situação de abandono e cobrar das autoridades atenção ao sofrimento do Corrente guerreiro. Segundo os estudantes, é preciso lutar contra a ganância do agronegócio e defender a agricultura familiar e garantir a recuperação das nascentes que levam vida para a nação Corrente.

Para Rosa Tunes, fotógrafa que nunca escondeu seu encanto e preocupação com os danos causados ao rio, os estudantes revolucionaram a forma de protestar na cidade.  “Eles deram um show de criatividade e consciência de um mundo melhor. O nosso rio está morrendo, não podemos permitir isso, ele é nossa vida”, destacou a também artista que revela a beleza do rio pela sua lente.

Em um dos atos mais emocionantes do protesto, o saxofonista Jaílton Souza fez uma apresentação ao lado da histórica “Carranca” posicionada na proa do barco calendário da prainha do Corrente. Aquele som, sem dúvida tocou os corações e levou a mensagem de proteção ambiental para todo canto. “O rio fez parte de minha infância e juventude, como tantas outras pessoas. Minha família é ribeirinha e meus tios, até hoje, sobrevivem da extração de areia”, relembrou Jailton.

Ele destacou, ainda, qual foi o sentimento ao navegar pelo rio durante o protesto. “Pude constatar que no rio correm muito mais que águas e embarcações. Nele estão histórias vividas, famílias construídas e, mesmo com seu nível decadente, ele ainda é o maior responsável pela Santa Maria da Vitória que ainda nos faz regressar de saudade”, explicou.

Além da preocupação ambiental, o movimento declarou repúdio às propostas do governo federal que, segundo eles, acabam com conquistas sociais históricas do País e tirar recursos da Educação e Saúde do povo. Os cartazes traziam mensagens contra a PEC 55 – que estabelece um teto de gastos públicos, o projeto da “Escola sem partido”, o corte no seguro defeso e pedindo a saida de Michael Temer da presidência com um “Fora Temer”.

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Jornalista, filho de Zim Bacalhau, santa-mariense e idealizador do Matutar com objetivo de debater assuntos que possam promover mudanças sociais na região da Bacia do Corrente. Idealista por natureza, curioso pela força da profissão e dono de um olhar sensível aos problemas sociais. Mente inquieta, a procura de novas historias para conhecer e contar.

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