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Quincas Coimbra: homem de arte e fé

Arte e Cultura

Quincas Coimbra: homem de arte e fé

Seu Quincas, como era conhecido na cidade, deixou um legado de honestidade, retidão e serviços prestados à sociedade Santa-Mariense

Um homem que viveu para ficar na história, não pelas fortunas que possuía, mas pela vida de retidão que teve. Foto: Reinilton Souza

Ainda menino, quando não entendia sobre muitas coisas da vida, ouvia falar que na cidade tinha um homem que sabia identificar a qualidade e o valor do ouro. Eu achava o máximo mesmo sem saber sequer o que isso significava; a única consciência que tinha era que ouro fosse sinônimo de riqueza. Com o passar do tempo foi que descobri que aquele senhor era também de ouro e tinha um valor incalculável. Com isso tomei ciência de que pessoas preciosas existem, muito embora raras, ele eram um.

Durante minha vida ouvia muitas histórias sobre o senhor que carinhosamente me apresentaram como Quincas Coimbra. Cansado de só ouvir quis presenciar e foi então que vez ou outra, de forma bastante discreta, comecei a acompanhar os passos daquele que seguia sua vida simples pautada na caridade sendo respeitado por uma cidade inteira. Admirável postura!

Ele foi um homem que muito contribuiu com a cultura de nossa cidade – Foto: Reinilton Souza

Raul Alves Coimbra, ou simplesmente Sr. Quincas Coimbra como era conhecido, foi um homem de muitos talentos. Na área da saúde, na década de 50, exerceu função de enfermeiro como auxiliar do famoso médico José Borba. Coisa que pouca gente sabe, pois não foi a profissão que mais o destacou na vida.

Na década de 70, participou da extinta Sociedade Filarmônica Lira da Vitória onde tocava sax tenor. Em 09 de junho de 2004 ajudou a fundar outra banda que por sugestão do mesmo foi batizada de Sociedade Filarmônica Lira do Corrente, ainda hoje ativa e desenvolve relevante trabalho na educação musical de jovens da cidade. Ainda na música foi autor de alguns dobrados entre os quais o hino da filarmônica que ele ajudou a fundar.

Sr. Quincas era inventivo por natureza e sabia bem realizar a arte de amolecer difíceis metais transformando-os em jóias preciosas. Também sabia, por meio de palavras confortantes e jeito acolhedor, amolecer o coração humano ajudando as pessoas a se tornarem seres melhores. Talvez fosse essa sua melhor obra de arte. Não a toa sua oficina, local de trabalho, era frequentado por grande quantidade de pessoas principalmente às 18h, momento em que dava o passe aos que participavam da tradicional prece.

Sr. Quincas teve muitos talentos e profissões: ourives, artesão inventivo, músico… Mas foi pela prática de sua caridade, fruto de uma vida espiritualista, que ficou conhecido. Ele era um ser humano referência, aconselhador e acolhedor de almas inquietas e corações aflitos, desconheço uma pessoa que dele tenha necessitado para não ser acolhido. A presença dele por si só já era motivo de alento dada a serenidade que causava, além da grande simpatia própria de sua essência.

Em momentos cuja honestidade tá em falta ele foi um exemplo vivo de reserva moral e retidão, homem exemplar, ser humano admirável e cidadão consciente de seu papel. Hoje, 07 de fevereiro, aos 93 anos, fez a passagem de forma serena mostrando para nós que há valores que na vida precisam ser preservados, entre os quais o respeito e amor ao próximo.

Sr. Quincas é, ao meu ver, umas das maiores personalidades de Santa Maria da Vitória e que muito contribui com a nossa história, ao partir deixa importante legado para nossa cultura.

A vida é isso, quando a presença física aqui não pode mais existir fica tudo aquilo que em vida foi construído e isso nem o tempo será capaz de apagar.

Querido Quincas Coimbra, em nome da cultura santa-mariense agradeço pelo tempo em que tivemos sua presença no meio de nós.

Vá em paz!

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Robson Vieira

É um jovem santa-mariense licenciado em teatro; bacharel em ciências sociais (com ênfase em políticas públicas); especialista em mídias, arte/educação intermidiática digital e patrimônio, direitos culturais e cidadania e mestrando em antropologia social. Atento aos problemas cotidianos e busca neles, nos problemas, respostas que nem sempre encontra, mas que jamais desistiu de procurar. Robson Vieira por ora é isso, depois nem isso.

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